Dr. Gibrail Dib - Neurocirurgião - Notícias
COLUNA VERTEBRAL
CRÂNIO/ENCÉFALO
NERVOS PERIFÉRICOS

NOTÍCIAS

22/01/2013
Procedimento inédito é realizado em Lages para tratar aneurisma

Um procedimento chamado de tratamento endovascular com Pipeline para tratar aneurisma dissecante foi realizado em Lages. A cirurgia aconteceu na semana passada, no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres e foi a primeira em Santa Catarina. O procedimento foi realizado pelo neurocirurgião Gibrail Dib Antunes Filho, em uma paciente da cidade de Urupema, com cerca de 60 anos e que apresentava um aneurisma dissecante.

Um tipo mais complexo do que os demais que não tinha como ser tratado com os procedimentos tradicionais. O aneurisma dissecante produze-se quando a camada mais interna da parede arterial, a túnica íntima, afasta-se da camada média, nestes casos, a circulação sanguínea penetra por uma espécie de canal paralelo, que circula ao longo do interior da parede arterial.

Na cirurgia foi implantado um stent modulador de fluxo sanguíneo cerebral (Pipeline). “Este stent apresenta uma nova conformação que possibilita excluir o aneurisma na circulação cerebral e ao mesmo tempo reconstruir a artéria”, explica o neurocirurgião Gibrail. Na paciente foram colocados quatro stents telescopados que no período de seis meses possibilitarão que a artéria cerebral volte ao normal. O procedimento durou cerca de duas horas.

O tratamento foi feito pelo convênio de saúde da paciente, pois o Sistema Único de Saúde (SUS), ainda não cobre este tipo de tratamento. O procedimento é caro e necessita de material vindo do exterior. “O stent é uma evolução no tratamento dos aneurismas, e Lages é referência. Atendemos pessoas vindas do Centro-Oeste do Estado e três pacientes aguardam a autorização para realizarem a cirurgia”, afirma Gibrail.

O médico destaca ainda que o aneurisma é uma doença silenciosa, mas que os casos vêm aumentando, porém as causas são desconhecidas. Acredita-se que o hábito de fumar e a hipertensão arterial são fatores relacionados com o desenvolvimento e ruptura do aneurisma.  A ruptura de um aneurisma cerebral é grave e leva à morte de quase um terço dos pacientes.

O neurocirurgião alerta que quando o aneurisma rompe, o paciente sente uma dor de cabeça muito intensa, súbita ou um estalo dentro da cabeça.Geralmente tem um desmaio transitório e apresenta vômitos. A pressão arterial sobe muito. A dor de cabeça e os vômitos persistem. Muitas vezes este quadro é confundido com crise de hipertensão arterial. O paciente deve procurar atendimento médico imediatamente.

O que é um aneurisma cerebral

É uma dilatação anormal de uma artéria cerebral que pode levar à ruptura da mesma no local enfraquecido e dilatado. Uma comparação de como se parece um aneurisma é a dilatação ou irregularidade da câmara de um pneu. Formam-se irregularidades na superfície da câmara e em um destes locais há ruptura da mesma com perda de ar sob pressão.

Nos indivíduos que têm aneurisma cerebral há a ruptura desta irregularidade da artéria cerebral e “vazamento” de sangue para um espaço virtual que existe no cérebro chamado de “espaço subaracnoide”.

Os tratamentos

Até 1990 os aneurismas só podiam ser tratados através da cirurgia, que consiste em abertura do crânio, afastamento do cérebro e bloqueio do aneurisma com clip (grampo) metálico. A partir desta época, foi desenvolvido nos Estados Unidos e aperfeiçoado na França um método denominado Embolização Por Catéter que substitue a cirurgia.

O método consiste em introduzir um catéter na artéria da virilha e através de monitor de TV ele é levado até o aneurisma promovendo o seu bloqueio com Micro Molas de Platina. Este material não causa reação nem rejeição e é definitivo. A duração da Embolização é, em torno, de duas horas e o tempo de internação reduzido(dois a três dias).

Os riscos

O principal risco do aneurisma é a sua ruptura com consequente hemorragia subaracnóide ou intra cerebral. Estas situações são, popularmente, conhecidas como “Derrame cerebral”.

Estima-se que 30% das pessoas que apresentam ruptura do aneurisma morrem sem ter tempo de atendimento médico. Daqueles que conseguem sobreviver ao sangramento inicial (derrame), a metade não sobrevive ou fica com sequelas. Apenas de 30% a 40% dos pacientes conseguem ter vida normal após a ruptura do aneurisma se forem tratados corretamente.

Os sintomas

Habitualmente os aneurismas pequenos são silenciosos e só apresentam sintomas quando rompem. À medida que vão crescendo, e dependendo da localização, podem comprimir estruturas dentro do cérebro apresentando manifestações variadas tais como: queda da pálpebra, visão dupla, dor de cabeça frequente, dor ocular ou na face. O maior risco é quando acontece a ruptura e, frequentemente, são os pequenos que rompem.

Como se desenvolve

Por razões ainda desconhecidas, um determinado ponto da parede arterial torna-se frágil. Com o passar do tempo e sob o efeito da pressão sanguínea a parede frágil começa a se dilatar formando o aneurisma que cresce lentamente. Algumas pessoas nascem com aneurismas cerebrais, os chamados aneurismas congênitos os quais, ao longo da vida, podem aumentar e romper. A ruptura do aneurisma pode ocorrer durante toda a vida, mas é mais frequente entre os 40 e 60 anos.

Porque deve ser tratado

O aneurisma pequeno e que ainda não rompeu,descoberto por acaso, deve ser tratado para prevenir sua ruptura. Sabe-se que o risco anual da ruptura de um aneurisma não roto é de 1,25%. O que rompeu deve ser tratado imediatamente após a sua descoberta pois tem alto índice de nova ruptura nas primeiras 48 horas. A segunda ruptura é quase sempre fatal.


Todos os direitos reservados 2013   |   Desenvolvido por Getsystem

Shopping Gemini - Rua João de Castro, 68
11º Andar, Sala 1104 | Lages - SC